Leia a coluna de Jamille Scopel, em um novo ponto de vista sobre o Segundo Turno das Eleições.


Terminou assim a disputa no primeiro turno para a presidência da República: Dilma Rousseff (PT) teve 46,91% dos votos válidos; José Serra (PSDB), 32,61%; e Marina Silva (PV), 19,33%. Um resultado que nenhuma pesquisa previu, apesar de no fim todas mostrarem uma queda significativa da petista.

Especialistas apontam os escândalos envolvendo a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, e o crescimento da Onda Verde de Marina, como os responsáveis pelo segundo turno. Na imprensa internacional, armou-se um verdadeiro alvoroço em torno do resultado. O diário financeiro Financial Times disse que a ex-ministra do Meio Ambiente foi “a única candidata que injetou vida” na disputa entre a “dama-de-ferro” (Dilma) e o “coveiro” (Serra).

Jornais de todo o globo afirmam que quem decidirá o rumo da eleição será a ambientalista. Ela é tratada nas reportagens e editoriais por expressões como “grande vencedora” da disputa, “fiel da balança” no segundo turno, detentora da “chave das eleições” brasileiras e de um capital político que “vale ouro”. Para os jornalistas, é o apoio declarado de Marina que fará a diferença. Claro que, até agora, ninguém considerou a possibilidade dela se manter neutra, o que é mais provável.

Porém, os especialistas desmentem essa teoria. O diretor para a América Latina do Eurasia Group, em Wahington, Christopher Garman, diz que a dinâmica do segundo turno é mais favorável para Dilma. “O cenário próspero do país, a figura do presidente e a ideia de continuidade do governo devem beneficiá-la”, afirma. Na verdade, a única certeza que há é que ambos os candidatos terão que negociar o programa ambientalista e a política de desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Serra em sua nova estratégia de campanha deve manter um tom pacificador para tentar ganhar os eleitores de Marina. Porém, mesmo que o tucano arranque 80% dos votos dela não será capaz de vencer. Portanto, será necessário conquistar alguns de Dilma. Para isso deve mencionar o presidente e as recentes denúncias de corrupção que abalaram a candidatura da concorrente. A vitória é uma missão difícil, mas há quem diga que não é impossível.

Lula assumiu a campanha de Dilma, Serra foi atrás do apoio de Aécio e todos querem Marina. O que se pode esperar é uma verdadeira guerra. Uma queda de braço que será decidida somente no dia 31 de outubro. O maior desafio da petista será a ofensiva religiosa, católica e protestante, que se instaurou contra sua campanha. O do tucano será sua própria autoconfiança, que quase custou o segundo turno.

Padres e pastores realizam nas missas e cultos, assim como por cartas e na internet pregações contra o voto no Partido dos Trabalhadores (PT). Do outro lado, o tucano tem problemas em escolher um lado. Uma hora é irredutível e logo depois faz anúncios populistas. A verdade é que no primeiro turno houve dois narcisistas, autossuficientes de si, querendo a presidência. Agora ambos terão que colocar as cartas na mesa e mostrar a que vieram.

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