Depois de três anos passando Natal e Ano Novo no Hawaii, a virada 2007 para 2008, decidi que seria no Brasil…

…junto da família e amigos, onde eu queria estar aproveitando também para investir mais tempo na aquisição de novos patrocinadores, para que assim pudesse garantir a minha presença em todos os eventos do Circuito Mundial de 2008. No entanto, como aconteceu em tentativas nos anos anteriores, esse ano não foi diferente: as empresas brasileiras não sabem enxergar que investir no esporte é formar cidadãos. Esporte e educação são amigos inseparáveis, e quando caminham lado a lado podem vir a ser um dos únicos caminhos para a socialização/desmarginilização.

Por quê?
– O esporte traz saúde e melhora a qualidade de vida;
– O esporte ajuda no equilíbrio e amadurecimento emocional pois se é necessário lidar com os medos e as frustrações, vitórias e derrotas;
– O esporte é inimigo da droga;
– O esporte educa e disciplina;
– O esporte cultiva sonhos;
– O esporte é um ótimo remédio para o stress e depressão;
– O esporte aumenta a auto – estima;
– No esporte não há espaço para corrupção pois aprende-se a jogar “limpo”, de acordo com as regras e a ética esportiva – formação moral;
– No esporte não existem diferenças.

Ruim é concluir então, que os ditados: “para o brasileiro tudo é festa” ou “que tudo termina em pizza” são realmente reais. Nas épocas de festas, o Brasil pára, quando chega época de verão, tudo é na base do relax: “calma irmão, é verão, curtição.” As coisas não andam, ou melhor, desandam. Esse é o lema que se hospeda na mente da maioria, principalmente entre os meses de Dezembro a Março. A política do “Pão e Circo” ressurge com outro nome: Política da Bunda e Boate. De dia cervejinha na praia de noite um “balinha” nas baladas.

O pior é ver milhões de pessoas que ralam o mês todo por um salário mínimo (R$ 380,00, agora R$ 415,00) e investem R$ 50,00 ou R$100,00 para curtir o Axé music ou dançar e rebolar ao som do “Créu” e ainda dizem cheios de afirmação: “isso é dinheiro suado, economizei durante o ano todo para não perder nenhum rock”.
Mas, fazer o que? São valores já inseridos na população e disseminados pela maioria dos veículos de comunicação, lavagem cerebral em massa. O que fazer num país que pára para “bisbilhotar” a vida dos outros (BBB – Big Brother Brasil 8, já estamos na sua oitava edição, mais que sucesso!) e dá as costas para não querer ver o jogo corrupto dos nossos políticos?

Felizmente já estou no Hawaii desde o dia 20 de janeiro em minha quinta temporada, em busca da conquista dos meus objetivos e, infelizmente, mais uma vez sem nenhuma ajuda das empresas públicas ou privadas brasileiras.

Além de mim muitos outros guerreiros já estão aqui ou virão nos próximos dias, muitos com situações semelhantes à minha. No Bodyboarding é fácil apontar mais de 10: Hermano Castro, Lucas Nogueira, Erisberto Abrantes, Jefferson Koslowski, José Otavio, Luis Villar (7º ranking IBA 2007, Campeão Latino-Americano 2007), e até mesmo o Uri Valadão ( Vice-campeão Mundial 2007, Bi-campeão da Etapa de Sintra 2005/2006, Bi-Campeão Latino Americano) entre outros, que também já deixaram suas marcas como Guilherme Correa, Anderson de Souza, Gabriel Záccaro, Roberto Bruno ( Penta – Campeão Brasileiro), todos com o mesmo objetivo de serem bem sucedidos no esporte porém muitas vezes se frustram por não terem seu trabalho reconhecido.

Há uma frase que gosto de repetir pra mim mesmo e que me ajuda a manter a chama acesa: “ Fácil é desistir, difícil é resistir”.

Desta forma, termino me questionando: o que fazer num país onde um “campeão” do BBB é mais valorizado e reconhecido do que um campeão da corrida de São Silvestre?

O meu objetivo não é ser radical e sim abrir os olhos de geral para a fantasia que se chama realidade brasileira.

Valeu,
Magno Oliveira – www.magnooliveira.com

“Apoiar um atleta é dar vida ao esporte”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.