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Morador de quase todas as praias do Brasil, Elmo Ramos Vieira Júnior conhece bem todas as línguas do bodyboard.

Nascido na Bahia, criado na cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro, desde pequeno ele tinha o sonho de cair na água e esquecer de tudo deslizando sobre as ondas do mar na sua prancha. Hoje, esse sonho virou realidade e aos 32 anos de idade, Elmo não abre mão de praticar seu esporte preferido: o bodyboard.

Com oito anos de idade, a família de Elmo se mudou para o Rio de Janeiro. Foi lá que ele deu seus primeiros passos no bodyboard. Sob as águas das praias do Bairro Leblon a diversão estava garantida quando brincava nas espuminhas do mar com uma pranchinha de isopor forrada com pano. Por dois anos ele ficou se imaginando com uma prancha maior encarando os desafios de ondas grandes. Quando tinha dez anos de idade, ganhou de Natal uma Mach77, em seguida vieram as nadadeiras, foi paixão à primeira vista, diz Elmo.

O pai de Elmo sempre gostou de esportes, mas sua mãe tinha medo de lhe deixar ir para a arrebentação. Levou algum tempo até que ela se acostumasse com a idéia de que a vida do filho começava a girar em torno do bodyboard. Com o tempo, lembra Elmo, fui ganhando confiança e poucos anos depois já ia à praia sem os meus pais, apenas com a companhia dos amigos. Quando começou a praticar o esporte havia poucos, mas bons bodyboarders no Leblon como Xandinho, Kung, Cláudio Marques, entre outros. Foram eles que incentivaram Elmo a ganhar o mar e viver fortes emoções sobre a prancha.

Elmo comenta que assim que entrou para o esporte queria muito uma prancha de bodyboard, pois havia visto em um anúncio de uma revista americana e não parava de folhear as revistas de surf, tamanha a sua paixão pelo esporte. Para alegria de Elmo, seu tio lhe deu uma prancha de surf havaiana. “Era uma monoquilha gigante. No dia seguinte eu a cortei e comecei a shapear um bodyboard. Meu tio ficou uma fera. Em poucas semanas eu já tinha revestido a parte de cima com uma placa de isopor e forrado com um plástico amarelo. No primeiro dia na praia ela partiu ao meio, e foi com a Mach 77 que evolui de verdade”, destaca Elmo.

No início, uma vez que a prática do bodyboard não era tão comum quanto é hoje e as escolas de bodyboarding eram escassas assim como os filmes, Elmo tardou a aprender as manobras que podiam ser feitas sobre a prancha. Não fosse isso, ele não teria encontrado dificuldades ao deixar-se seduzir pelo esporte. Para suprir a falta das escolas especializadas no esporte, Elmo viu nos amigos e nos mais experientes os seus grandes professores. “Ficava observando eles quando pegavam ondas, como remavam como entravam em mares perigosos e aprendi um pouco com cada um”, ressalta. Hoje, Elmo passou de “aluno” a mestre, ele sabe direitinho como dominar uma onda e, sem dúvidas, serve de exemplo para quem um dia sonha em pegar altas ondas como ele sonhou um dia.

No ano de 1986, Elmo começou a organizar os primeiros campeonatos de Bodyboard que agitavam as águas no Leblon. No amo seguinte, como ele explica, passou a competir no Estadual Carioca e de 1988 a 1989 se dedicou ao Circuito Brasileiro, abandonando as competições. O motivo que o levou a tomar essa decisão foi não agüentar mais torcer contra os seus amigos, a rivalidade estava lhe fazendo mal. Era preciso encontrar alternativa para que Elmo continuasse a praticar o esporte e estivesse na companhia dos amigos. Foi por isso que ele passou a organizar festivais de bodyboard, os quais não dispensavam a competição, mas sempre acabava em festa. A felicidade da maioria se completava apenas em participar.

Quando se casou, Elmo ficou sem competir por quatro anos, longe do cenário inspirador das praias cariocas. Ao retornar um tempo depois, voltou suas atenções ao Dropknee, o estilo que segundo ele, mais se “amarra”. Elmo brinca dizendo que já participou de várias competições e de todos os níveis, desde os que valiam pacotes de bolacha até os Mundiais. O mais recente que participou foi o Mundial da Espanha no qual trouxe na bagagem a conquista pelo sétimo lugar.

Ao longo dos anos que vem levando a vida no agitado ritmo das ondas, Elmo já agrega títulos importantes como o de Bicampeão Carioca e Capixaba de Dropknee. Os títulos mais valiosos para Elmo são os conquistados em boas ondas, como a etapa de São Conrado ou no Campeonato Paranaense, em Guaratuba. Em ambos os gritos de quem ficou na areia torcendo pela sua vitória lhe levaram a conquistar um lugar ao pódio. Para se preparar para as disputas Elmo comenta que faz Yoga que é um exercício ótimo para alongar os músculos, ajuda na respiração e concentração. Além disso, ele também pratica capoeira, pois é baiano e não nega as suas raízes.

São Conrado, Joatinga, Itacoatiara, Brava de Arraial e Grumari, no Rio de Janeiro; Barra do Jucu, Regência, Dunas Dulé, Setiba, Além e Barra do Sahy, no Espírito Santo; Matinhos e Brava de Guaratuba no Paraná; Bravinha, Naufragados, Lagoinha do Leste e Matadeiro em Santa Catarina; Guarita no Rio Grande do Sul, todas as ondas da Ilha de Fernando de Noronha entre outras praias são os lugares preferidos de Elmo para a prática do bodyboard. Segundo ele, estes foram os lugares escolhidos por apresentarem ondas de qualidade, praias limpas e pelo astral das pessoas.

Quando não está sobre a prancha competindo ou apenas praticando, Elmo não para, ele continua trabalhando em prol do esporte. Atualmente, além de bodyboarder ele é fotógrafo, editor e empresário, uma vez que tem a revista Ride It, uma das únicas especializadas no assunto. Ao longo dos 23 anos dedicados ao bodyboard Elmo construiu grandes amizades, junto com isso o esporte contribuiu para a sua saúde, o que lhe motiva a continuar “pegando ondas” e a energia positiva das águas do mar. Ele só abandonaria a vida sobre as águas se o mar se tornasse tóxico. “Eu acordo pensando em Bodyboard, trabalho com bodyboard e ainda tenho muitos sonhos para realizar através do esporte”, acrescenta.

Através de sua admiração pelo esporte, Elmo costuma incentivar outras pessoas a “mergulhar” no mundo do bodyboard. Àqueles que se sentem um pouco atraídos pelo esporte, Elmo diz para tomar fôlego e seguir em frente, pois o bodyboard é um meio de se descobrir no mundo, é um esporte saudável que leva a conhecer e expandir seus limites além de deixar a mente e o corpo em equilíbrio constante.

Para participar das competições Elmo conta com o patrocínio da Revista Ride It, a qual lhe abre portas em diversos setores; tem o apoio dos Acessórios Prolite, das nadadeiras Redleyfins e, no momento está sem apoio de prancha definido, mas ficou por muitos anos na Z Point Bodyboards. Na etapa do Paranaense em que foi campeão teve apoio da Resistência Filmes.

Para finalizar, Elmo agradece a Deus por todos os momentos de sua vida, cada vitória, cada derrota e por todo o aprendizado. À sua família que sempre torce por ele e pelo seu sucesso, aos meus amigos, que não são poucos, e o fazem lutar pelo melhor. Às empresas que acreditam no trabalho e as pessoas que fazem do esporte um meio de vida, pois estão todos juntos nessa onda.

Acesse: www.rideitbb.com

Por: Elmo Ramos

Fonte: Inema

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