Pedro Vargas*

Não sou nenhum internauta fanático daqueles que ficam horas na frente de um computador e que está antenadíssimo…

…com os mais variados termos e lançamentos da net, mas até onde sei, se existe uma palavra de cinco letras que é febre em vários países do mundo, esta palavra é ORKUT.O significado real tendo em vista que as fontes são da duvidosa Internet, onde existem várias versões para tudo, não se sabe 100% ao certo. Pesquisando-se, podemos descobrir que uma forte versão é a de que é Orkut vem do nome do criador da rede de relacionamentos virtuais.

Mas o que procuro aqui não é fazer uma discussão filosófica sobre a origem do Orkut apesar de considerar a febre um instrumento interessante para estudantes da área de comunicação, publicidade e até mesmo sociologia em nível de trabalhos monográficos e outras pesquisas científicas.

O que me chamou a atenção para o tema, é que sendo dono de um “profile”, comecei a analisar no que o tal Orkut tem mudado nossos hábitos, feito com que cheguemos a conclusão sobre personalidades e hábitos das pessoas.

Existem análises que são interessantes como, por exemplo, saber que mesmo em se tratando de um digamos quase “veículo” de comunicação, o Orkut também tem seu lado vilão de afastar as pessoas. Afinal quem nunca pensou que não precisa mais ligar e que basta deixar um “scrapp” para aquele amigo que mora longe e que está de aniversário?

Outra consideração sobre a rede, é a de que já existem pesquisas que apontam que o Orkut é vilão do rendimento no trabalho já que a grande maioria tem o hábito de dar uma espiadinha durante o horário de serviço.

Agora os fatores mais engraçados na minha opinião são os quesitos desconhecidos e relacionamentos.

É impressionante como as pessoas estão carentes a ponto de adicionar alguém que nunca viu de Belém morando em São Paulo. Também acho um tanto quanto inusitados casos em que pessoas se conhecem de vista, moram na mesma cidade, não se falam, mas são amigas com direito a estrelinha de fã no Orkut. Parece-me um paradoxo.

Relacionamentos são engraçadíssimos. Pessoas com status de namoro cantam outras na cara dura com direito a fotos sensuais e troca de MSNs. Ê fidelidade! Do outro lado, pessoas solteiras e carentes vêm no Orkut a tábua da salvação adicionando meio mundo de desconhecidos e se achando populares por chegarem aos 1.000 amigos “íntimos”.

Neste tipo de perfil invariavelmente você verá a palavra LOTADO na foto o que garante ao dono no profile suprir parte da sua enorme insegurança emocional.Quase me esqueci do quesito estética. Pessoas lindas no Orkut não passam de pessoas normais ao vivo. Muitos se esquecem que Photoshop é a grande arma do milênio e acabam se decepcionando quando partem para viver “o grande amor”.

É possível tirar conclusões óbvias também. Qualquer perfil do Sul do país irá exibir a foto de uma pessoa “quase gringa”, no Nordeste vêm fotos de micaretas ou grandes festas regionais, em São Paulo o perfil parecerá mais profissional do que os outros e no Rio as fotos devem impressionar, pois metade da população jovem de lá é sarada o que nos faz parecer anormais ao nos deparar com tanta “saúde” digamos assim.

Enfim, no Brasil, onde qualquer moda vinda de fora pega, acabamos nos rendendo ao joguinho de Add as pessoas. O que me preocupa é o nível de relacionamento que estamos buscando. Muitas vezes queremos pessoas da mesma cidade e amigos só por Orkut enquanto que com o que parece mágico e perfeito e mora longe, queremos “ter algo mais sério”.

Deixa-se de dar bom dia aos familiares com quem moramos para dar um “bom finde” para quem mal conhecemos. Agora com a criação do buddypoke vem a ilusão de abraçar, beijar virtualmente as pessoas através de um bonequinho chato e sem sal.

Que fique bem claro que não tenho nada contra o Orkut, veículo ao qual me rendi há cerca de 3 anos. O que acho que deve ficar claro e que sou contra relacionamentos superficiais e fantasiosos que não levam a lugar algum além de carência e desilusão.

É preciso mais uma vez sabermos como e para que fins estamos usando as coisas. Não é o ser humano que é o objeto e sim a sua criação toda.

*Pedro Vargas é graduado em Jornalismo, pós-graduado em Gestão de Empresas de Mídia e é assessor de imprensa e eventos.

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