Pedro Vargas*

Em vias de se espalhar por todo o país, a TV digital nos leva a mais uma reflexão sobre o atual conteúdo da TV aberta no Brasil.

Afinal de que adianta um sistema tecnológico tão avançado com imagens a cada dia mais reais se está cada vez mais difícil assistir a uma programação de qualidade e conteúdo?O que era ruim parece ficar pior e até o considerável razoável já não satisfaz uma massa de telespectadores que agora fazem questão de interagir e exigir mais, de canais que investem milhões de reais todos os meses em “lixo áudio visual”.

Emissoras de grande porte parecem ter virado laboratórios com programas de humor sem graça, manhãs totalmente desinteressantes, filmes velhos e o imortal Faustão aos domingos. Será que só novela segura ou só mesmo o Caldeirão que apesar de confuso e contrastante mostra que vale a pena investir na educação com o Soletrando copiado de outro país?

Outra que já é apontada como a segunda maior do Brasil por alguns, tendo ultrapassado a rede de Silvio Santos, investe em excelente conteúdo jornalístico, mas se perde na chata guerra entre mutantes ex-globais que não convencem e uma grade de programação bagunçada, que deixa que telespectadores durmam de madrugada em plenos dias de semana para poder ver um dos poucos programas de conteúdo que segue fórmulas bem sucedidas de reality show como O Aprendiz. Ela comprou o reality Ídolos e… Deixa pra lá! Já a ex-segunda melhor do país, patina, patina e não sai do lugar. Promove um reality show bobo da Disney, que nem adolescente tem paciência de assistir, transforma Ídolos comprado pela concorrente em Astros sem mudar nada, permanece com as novelas mexicanas e o igualmente imortal Chaves e por fim traz problemas familiares à tona com Casos de Família. Até o dono já percebe o estrago e por isso decidiu voltar por três horas aos domingos como fez no último dia 1º.

A Band… Bem, alguém lembra de algum programa de lá?! Acho que só salva mesmo a cobertura jornalística. Que é defasada, não dá um furo há muito tempo, mas está ali para constar.

Por fim a Rede TV. Que coloca Luciana Gimenez, que dispensa comentários sobre seu “cultural” repertório, em meio a desfiles de roupas íntimas e escândalos forçados toda santa noite em nossos lares. É de ter pesadelos!

Mas enfim viva a TV digital, o sinal de qualidade, o avanço o progresso! O futuro do país visto pela TV! Ô beleza!

E sem nenhuma expectativa, quem não paga uma TV por assinatura se vê obrigado a assistir uma programação inútil e pobre que nem sequer vale a pena ver de novo…

*Pedro Vargas é graduado em Jornalismo, pós-graduado em Gestão de Empresas de Mídia e é assessor de imprensa e eventos.

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